A muda de oliveira a partir do caroço é a forma de propagação natural e que ocorreu com primeira das oliveiras, entretanto não é a mais utilizada devido aos seus resultados incertos e demora na frutificação..

O fruto, por consequência o caroço, é a tentativa da oliveira de perpetuar a espécie e fazê-la evoluir, assim como qualquer fruto ou fruta que pode utilizar-se da “polinização cruzada”. Desta forma serão necessárias duas partes com suas cargas genéticas para produzir um fruto com a combinação dos mesmos. Logo “é o sexo a distância”, sem telefone ou Internet. 😊

Este processo é chamado de Polinização, no qual as grandes estrelas são as flores. As plantas que geram flores são as angiospermas ou ainda: antófitas – plantas com flores e fruta.

As plantas do grupo “ANGIOSPERMA” surgiram surgiram há pelo menos 132 milhões de anos, no cretáceo. Contudo provavelmente foi antes, ainda no Jurássico. Ou seja: bem antes dos vendedores de flores nos restaurantes a noite.

Obs.: As plantas apenas com semente são as Espermatófitas, e as Angiospermas estão dentro desse grupo, mas geram flores.

As angiospermas somam de 260.000 a 369.000 espécies, mas a botânica ainda não cadastrou todos os seres vegetais do mundo. Apenas em 2016 foram cadastradas mais 1.730 novas espécies.

Para saber mais:

Tree of life – http://tolweb.org/angiosperms

State of the word’s plants – http://stateofwordsplants.com

Abaixo uma visão dos órgãos das flores e os passos, de forma simplificada na formação do fruto.

A polinização nas oliveiras pode ocorrer dentro uma única flor ou cruzada entre cultivares compatíveis.

A polinização da oliveira pelo vento só é possível devido ao pequeno tamanho do seu pólen. Muitas plantas dependem de abelhas e outros meios para polinização – também útil para as oliveiras.

A polinização ocorrendo entre pólen e estigma da mesma árvore, então é dita uma “Auto-Polinização”.

Quando ocorre com árvores diferentes, ou flores diferentes da mesma árvore, então é uma “Polinização Cruzada”. Entretanto se ocorrer entre cultivares diferentes, as características da azeitona serão da árvore que entrou com o Estigma.

Obs.: Caso essas duas flores pertençam a mesma planta é chamada de geitonogamia, e se as flores estiverem em planta distintas recebem o nome de xenogamia.

Mesmo nos cultivares que são auto-polinizantes, estudos concluíram que ter um cultivar diferente para ocorrer a polinização cruzada, diminui ocaso de aborto das flores e melhora a produtividade.

Pólens de tamanhos e formatos diversos

Os pólens maiores não são transportados pelo vento, mas os da oliveira, por serem em torno de 22 a 28 micras, são facilmente levados.

Entendendo um pouco mais a estrutura da semente

Provavelmente todo mundo já viu uma semente germinar. Costuma ser uma experiência feita no ensino fundamental, normalmente com grãos de feijão.

Antes de dar a fórmula do bolo para criar uma oliveira a partir do caroço, vejamos um pouca a função de cada parte do caroço. A primeira fonte de alimento da semente é o endocarpo, pois o mesocarpo (polpa da azeitona) é apenas um atrativo, tal qual em outras frutas e frutos, para coleta por animais (incluindo o ser humano) e disseminação da espécie.  O endocarpo também tem a função de proteger a semente.

Imagem a esquerda de S. Foster. Imagem a direita, fonte: pontobiologia.com.br/

Observações:

  1. Endocarpo: É a primeira fonte de alimento da muda de oliveira, mas também funciona como uma proteção da semente. Obs.: A polpa da azeitona (mesocarpo), assim como em outras frutas e frutos, serve apenas como atrativo alimentício aos animais que a consomem.
  2. Tegumento: É a cobertura natural de um organismo ou de um órgão. Exemplos: pele, ritidoma de uma planta (casca morta), concha de um molusco ou a casca de um fruto. Quando aplicado à parte externa das sementes, normalmente é descrito como tegumento seminal ou episperma.
  3. Cotilédone: Transfere para a planta em início de formação o material nutritivo armazenado no endocarpo.
Muda de feijão ainda com seu CotilédoneMuda Epígea (??? – já, já explico.)
  1. Hipocótilo é a parte do eixo do embrião ou plântula situada entre o ponto de inserção dos cotilédones e aquele em que tem início a radícula.
  2. Radícula: “Pequena raiz”. É a primeira parte da semente a emergir durante a germinação. É a raiz embriônica de uma planta, crescendo em direção ao solo. Esta estrutura emerge através do micrópilo.

A germinação do caroço

Pode acontecer basicamente de duas formas:

Imagem modificada – Fonte: Infoescola.com.br

Obs.: A germinação da semente da oliveira ocorre via Hipógea.

Fazendo a muda de oliveira

De maneira geral, como ocorre na natureza. Um fruto ao cair na terra, dependendo das condições, sua semente germina. Entretanto também pode ter sido comido total ou parcialmente por uma ave ou outro animal.

De uma fora ou de outra é transportado e depositado no solo. Muitas sementes resistem inclusive ao trato digestivo de macacos, aves e humanos. Sim: humanos. Hoje no mundo “civilizado”, bem menos.

Como não estaremos no local e na hora certa, logo não saberemos a que árvore pertence, assim sendo lá vai a receita de bolo. E mais: No caso das oliveiras, a azeitona é tão amarga que são poucos animais que a consomem “in natura”. Um exemplo é o Tordo-pinto, inexistente no Brasil e natural da Europa, Norte de África, Médio Oriente e Sibéria.

“Receita de bolo”

Importante: A taxa de sucesso é muito baixa, logo a sugestão é fazer com muitas azeitonas.

Basicamente é: Escolher o fruto “novo”, eliminar a polpa, quebrar a dormência da semente, facilitar a saída dos componentes da muda de dentro da semente, plantar e regar. Fácil…

1º Passo: Escolher um (vide alerta acima), ou vários, frutos saudáveis e maduros diretamente da oliveira.

O fruto escolhido obviamente deve ser do cultivar desejado. A azeitona deve estar madura, mas verde.

Veja: “Escolha do cultivar – Fundamental no resultado futuro”

São muitos os cultivares, cada um com uma aptidão e características de cultivo

Nota: Reza a lenda que missionários espanhóis conseguiram produzir oliveiras de caroços de azeitonas já tratadas trazidas da Espanha. Será? E isso gerou um novo cultivar “Mission”. A história completa você lê em Oliveira pelo mundo: EUA.

A sanidade da azeitona e o local de plantio são pontos muito importantes. Veja: “Plantio – Parte I: Requisitos do local

2 – Livre-se da polpa

Na natureza isso ocorre de forma natural, quer seja por algum animal ter engolido a azeitona, quer seja por degradação do mesmo ao longo do tempo. Mas como queremos aumentar nossas chances de sucesso.

Há varias formas de ajudar a soltar a polpa, lembrando que mesmo as azeitonas de mesa quando já pretas tem uma soltura fácil, com as azeitonas verdes isso é outra história.

O importante é fraturar a polpa sem machucar o caroço. Uma sugestão é amassar gentilmente as azeitonas com um rolo de massa, ou ainda com um martelo de amassar batatas ou a lateral da lâmina de um facão, sem machucar o caroço. Se a polpa sair, ótimo, senão deixe de molho por 12 horas em água “MORNA”, mexendo a cada 2 – 3 horas. Descarte as azeitonas que flutuarem.

3 – Termine de limpar a azeitona com uma escovinha, ou até mesmo uma lixa.

A ideia é eliminar qualquer material que possa estragar e o caroço.

4- Quebre MUITO gentilmente a casca do lado mais macio.

É desse lado que está a radícula que sairá da casca para baixo e iniciará a formação das raízes da oliveira. Por essa razão não se pode enviar a faca ou outro instrumento no caroço, apenas quebrar para facilitar a saída. O processo é parecido para quem faz muda de pêssego.

Mais uma vez: Pode ser usada uma faca ou uma tesoura, desde que não machuque a radícula.

Existe uma variação desse passo que indica quebrar a casca. Trata-se da remoção completa da mesma com um objeto cortante.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Caroco-sem-Endocarpo.png

Isso evita, em tese, a resistência a saída da radícula (para baixo) e o epicótilo (para cima). O problema é que a maior fonte de nutrientes do caroço de azeitona para a muda é o endocarpo, que está na “casca”.

Não testamos e não sabemos se funciona.

5 – Quebrando a dormência

Manter por 24 horas as sementes imersas em água a temperatura ambiente.

6 – Prepare um vaso (berçário) com boa drenagem.

A terra não precisa ser muito rica em material orgânico, mas pode ter enraizador. Metade do volume pode ser misturado com areia média ou grossa.No início o vaso deve ser pequeno, mas aconselha-se a ter um por muda de oliveira, em placas de sementeira (mais fundas), ou em vasos maiores a distância de 15 cm uma da outra.

7 – Semeando

Nesse ponto adapte às suas possibilidades o controle de temperatura.

A profundidade de depósito deve ser +/- 2 vezes o diâmetro do caroço. A semente deve ser depositada “deitada”. Nessa fase o local de germinação deve ser “frio” (+/-) 15ºC e sombreado. Essa fase durará um mês. Nesse período deve-se molhar o “berçário” SEM ENCHARCAR, e somente quando a superfície estiver secar. Esse é um cuidado para evitar bactérias e fungos que poderiam matar a semente. Com muita parcimônia pode-se pulverizar canela em pó uma única vez na superfície a fim de evitar proliferação de bacteriana ou fúngica.

Após o primeiro mês o berçário pode ter a temperatura elevada em torno de 21º centígrados. Mantenha a mesma regra de rega. Durante esse segundo mês é possível que surjam as mudas, que indica que é o tempo para voltar a mesma temperatura inicial.

A insolação pode começar a acontecer paulatinamente nas semanas seguintes. Com a adubação correta e espaço necessário, a muda de oliveira poderá permanecer anos em um vaso, com o devido cuidado para que suas raízes não comecem a se embolar por falta de espaço.

Por fim basta esperar de 5 a 8 anos, que com todos os cuidados com a muda de oliveira – árvore, ver o resultado dessa aventura.